
quando ela lhe disse: 'vou-me embora' zed não replicou.
nem uma palavra. esperou que desse as costas à mesa e
lhe cravou a faca de cozinha entre as costelas - até o fim.
guardou o corpo no armário e limpou o chão com cuidado:
água e álcool - depois uma passada de cera.
por toda a noite pensou no que fazer com o cadáver.
ao amanhecer, a solução. saiu da cama - vestiu uma camisa
velha jeans já desbotados e separou uma faca de açougueiro.
abriu o armário outra vez e ergueu o cadáver colocando-o
sobre a mesa e - com a faca de açougueiro a cortou em pedaços.
pequenos pesos que depois guardou em sacos plásticos - eram
pouco mais de trinta e ele os guardou no congelador.
se livrou dos restos atirando-os à caldeira.
novamente limpou o apartamento - abriu as janelas para o
ar puro. quando terminou foi que lhe veio o apetite.
abriu a geladeira: vazia. do congelador então tirou um
dos pacotes e colocou o conteúdo no forno.
assim dia após dia, comeu sua mulher.
achando por vezes insípida, por vezes dura demais
- exatamente como em vida.
para hoje, domingo, tem o último dos pacotes, o do coração.
quando engoliu a primeira garfada, sentiu um sabor
diferente, novo. atõnito percebe que é seu próprio sabor
e que ela insípida e dura - decidida a ir-se embora
as costas já voltadas, ainda o levava no coração.
deseperado de náusea, caiu ao chão perdendo a consciência.
'morte por envenenamento devido à ingestão de remorso
em quantidade superior ao limite de tolerância'
está escrito no laudo médico.
(gabriele romagnoli - navi in bottiglia)
Não achei teu novo orkut, Dani, mas estou deixando meu contato, caso haja convites. Aliás, que belíssimo blog! Não me furtei a ler os textos e admirar as imagens, fabuloso! Grande beijo.
ResponderExcluir(guto.leite82@gmail.com)